Bernardo, Rafa e Cris
É com imensa tristeza que repassamos essa notícia de uma perda irreparável... o falecimento do nosso amigo Bernardo Collares. Uma figura alegre, cheio de energia, brincalhão... sempre com um baita sorriso na cara e pensando na escalada do dia seguinte. Quantas vezes encontrei Bernardo saindo da Urca bem cedo após uma escalada antes do trabalho... era o cara mais fissurado em escalada que eu já conheci. Vou sentir sua falta de verdade. Das suas visitas aqui no Abrigo em seus enlouquecidos bate e volta do Rio pro Cipó... Dos treinos na Limite Vertical que tinham pausas para sua dose de cachaça... Dos gritos de CABEÇÃO para te perturbar...Sei lá ainda não caiu a ficha muito bem... Prefiro pensar que esteja bem seja onde estiver, porque você estava fazendo o que mais amava na vida, ESCALAR.
Você era um touro... sei que você lutou até o fim. Fique em paz nas montanhas. Como você dizia... ENTON!!!
Ficam aqui os sentimentos dos amigos Eduardo Barão e Rafa Discaciati.
Bernardo sempre preocupado com a previsão do tempo... dando uma olhada na net.
Repassando a mensagem do André Ilha na lista da Femerj:
"Oi gente,Tenho, infelizmente, a pior notícia do mundo para dar para vocês: a morte do nosso querido amigo e presidente da FEMERJ Bernardo Collares....As informações de que disponho são ainda muito parciais, mas ele aparentemente chegou ao cume do Fitz Roy com a Kika Bradford e sofreu um acidente em, talvez, um dos primeiros rapéis (já que eles estavam a 35 enfiadas de altura) e quebrou a bacia, além de sofrer uma hemorragia não sei onde. Ele não conseguia se mexer e, nessas condições, é óbvio que a Kika não tinha o que fazer a não ser descer para tentar obter socorro e, claro, não morrer também. Ele próprio falou para ela descer...Evidentemente a descida dela foi lenta e dramática, mas felizmente sem novos acidentes, e quando ela chegou a El Chalten deu a notícia e desabou em choque. Havia muita gente competente por lá, inclusive o Serginho Tartari, Rolo Garibotti, guias profissionais da Europa,médicos, mas todos concordaram que não fazia sentido ir até lá tanto tempo depois (passaram-se duas noites, uma com tormenta, e o Bernardo estava sem água, comida e o saco de dormir estava molhado...), em más condições, até porque não havia como retirar alguém quase do cume do Fitz com fratura de bacia a não ser de helicóptero, e não havia helicóptero com piloto experiente por perto... Isso é tudo o que sei por enquanto, não sei nem em que vias eles estavam. Além do grande amigo de tantos de nós, o Montanhismo brasileiro fica, assim, de luto e órfão de um dos mais - se não o mais - importante agente da organização do nosso esporte e do reconhecimento de sua importância perante os olhos das autoridades públicas. A perda é irreparável em todos os sentidos, e nem sei mais o que falar nesse momento. Abraços e beijos, André
P. S.: vou sentir muita falta, dentre tantas outras coisas, daquelese-mails dele cheios de reticências..."
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