No dia 12 de julho de 2009, comemoramos o "renascimento" do escalador brasileiro
Eduardo " Barão "...
É que muitos não se lembram que ..." em 1999, ocorreu um acidente que foi manchete na imprensa por vários dias e na montanha... Uma equipe de alpinistas brasileiros, formada por Gustavo Sampaio, Júlio Campanella e Eduardo " Barão", subiu a Crazy Muzungus ( VII A2 ) no Pico Garrafão ( 2.138 m ), situado na Serra dos Orgãos ( Teresópolis, RJ). A escalada é muito longa, vertical e são necessários de dois a três dias só para subi-la, não contando a caminhada de aproximação que também é uma batalha à parte, devido à sua dificuldade. No primeiro dia eles escalaram algumas centenas de metros, mas ficou tarde e resolveram descer para dormir na base. Era mais confortável porque depois que eles chegassem a uma certa altura, teriam de passar as noites nos pequenos platôs do enorme paredão. Desceram e deixaram cordas fixas, dessa forma não precisariam ter que escalar tudo de novo no dia seguinte, bastava subir pelas cordas utilizando um par de ascensores mecânicos conhecidos como Jumar. Chegando ao ponto onde eles tinham parado, de forma rápida, poderiam continuar a escalada a partir dali.
No segundo dia de escalada, bem cedo, dois deles subiram todo o trajeto de cordas fixas. Depois foi a vez de Barão, mas por falta de atenção ou por não utilizar corretamente os meios de segurança, um dos jumares que usava não travou a corda como deveria e se soltou. Barão caiu de uma altura entre 100 a 120 metros, equivalente a um prédio de 40 andares. Por muita sorte teve a queda interrompida por um platô. Milagrosamente sobreviveu em função do amortecimento proporcionado pela vegetação. A queda poderia ter sido muito maior, entretanto, mesmo tendo apenas 100 ou 120 metros, pode ser considerada a queda recorde da escalada do Brasil, de onde o escalador saiu vivo. Um outro caso com queda de tamanho parecido, foi o do Paulo Ferreira na década de 80, no Morro Dois Irmãos ( Rio de Janeiro ), que também sobreviveu.
Havia, no entanto, um segundo problema, que era retirar o Eduardo daquele lugar. O local é de acesso extremamente difícil, não há trilhas, e fica no fundo de um vale enorme e fechado, muito acidentado. Felizmente eles possuíam um telefone celular que milagrosamente funcionou, e conseguiram pedir socorro. Graças ao conhecimento que algum parente tinha com a Secretaria de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, um helicóptero foi acionado e rapidamente chegou ao local. Júlio subiu em uma árvore para sinalizar para a tripulação da aeronave, mas ele vestia uma jaqueta camuflada com tonalidades de verde!!! Afinal, desejava ser visto ou não? Escaladores quando vão a um lugar como esse devem vestir roupas com cores mais chamativas possíveis, de preferência vermelha ou laranja. Essa é uma regra para quem vai fazer expedições polares ou escalar montanhas alpinas, mas serve perfeitamente para as nossas condições de floresta. Você deve escolher entre ser ridicularizado pelos amigos ou em um eventual problema, ser salvo. Mas Júlio finalmente foi visto sacudindo uma árvore e balançando os braços. Como a aeronave não podia pousar, Barão foi içado para o Helicóptero, que se dirigiu ao Hospital. Sem socorro rápido teria morrido. Outro milagre é que poucos meses depois Eduardo " Barão " estava escalando novamente como se nada tivesse acontecido."
Hoje, ainda continua escalando e muito bem... atualmente está mais voltado para a Escalada Esportiva, e está "malhando" uma via de 11º grau, a Cabra da Peste de sua própria autoria( Grupo 3, Serra do Cipó ), que daremos notícias quando o projeto sair...
Boas escaladas!!!
Bons ventos!!!
Equipe Abrigo Cipó
Texto: Rafa Discaciati
Referências Bibliográficas: Livro "Montanhismo Brasileiro" Paixão e Aventura
Autor : Antônio Paulo Faria


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